
A superioridade do amor em relação aos dons (I Co 13.1 -13)
O CAPÍTULO 13 DE 1 C0RÍNTIOS é considerado a obra mais grandiosa, mais vigorosa e mais profunda que Paulo escreveu.’ 79 Paulo fala sobre a superioridade do amor sobre os dons, as excelências magníficas do amor e a perenidade do amor.
Todavia, o que é amor? Muitas pessoas relacionam o amor com a emoção. O coração bate forte, as mãos ficam geladas, perpassa um calafrio pela espinha. Então, as pessoas pensam: Isso é amor!
Outros relacionam o amor com um sentimento romântico e platônico. Limitam o amor a algo puramente sentimental, filosófico, e romântico. Para outros, ainda, o amor é uma atração irresistível ou um impulso passional. Trata-se apenas de uma paixão inflamada e indomável.
A palavra amor está profundamente desgastada. John Mackay afirma que uma das principais artimanhas do maligno é esvaziar o conteúdo das palavras. Se existe uma palavra que foi esvaziada, distorcida, e adulterada em seu significado é a palavra amor. Amor tornou-se símbolo de paixão, de sexo, sobretudo, de intercurso sexual fora do casamento. Esse tipo de amor tem trazido ódio, desgraças, divisões, lares arruinados e enfermidades.
E óbvio que quando o apóstolo Paulo fala em amor, usa uma palavra específica, ágape. O amor ágape é o próprio amor de Deus. É o amor sacrificial, genuíno, puro. É o amór santo, que não busca seus interesses. E o amor que se entrega. E o amor que é mais do que emoção. É atitude, é ação. E amar o indigno. E amar até às últimas conseqüências. E amar como Cristo amou. Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela. David Prior diz que ágape é o amor pelos totalmente indignos. Provém antes da natureza daquele que ama, que de qualquer mérito do ser
Examinaremos esse capítulo dentro desse contexto. Quando você estuda as cartas do apóstolo Paulo às igrejas de Éfeso, Filipos, Colossos e Tessalônica, observa que ele agradece a Deus pelo amor existente entre aqueles irmãos. Paulo elogia aquelas igrejas pelo amor que tinham. Porém, Paulo não elogia a igreja de Corinto nesse particular. Ao contrário, Paulo elogia a igreja de Corinto pelos dons, mas não pelo amor. Corinto era uma igreja cheia de dons. Não faltava àquela igreja nenhum dom (1.7), entretanto, faltava- lhe a prática do amor.
Na verdade esse era o ponto vulnerável daquela igreja. Era uma igreja trôpega e frágil na prática do amor fraternal. A igreja de Corinto era imatura e carnal (3.3). Por essa razão, Paulo escreve o capítulo 13, o grande capítulo do amor.
Infelizmente, costumamos ler esse capítulo sem considerar o contexto da carta.
O capítulo 13 está entre dois capítulos tratando de dons espirituais. Não foi cochilo do apóstolo Paulo colocar esse texto sobre o amor “sanduichado” entre dois capítulos que tratam de dons espirituais. Paulo está dizendo que todos os dons mais dramáticos e mais maravilhosos que podemos imaginar são inúteis, se não houver amor.
Como diz F.F. Bruce: “O exercício mais generoso dos dons espirituais não pode compensar a falta de amor”. Não podemos entender a mensagem desse capítulo a não ser que o interpretemos à luz deste contexto.
Paulo está condenando a carnalidade da igreja de Corinto e mostrando que a única saída para uma igreja carnal e imatura é o remédio do amor. Paulo diz que a vida comunitária sem amor não é nada (13.1-3); a seguir, ele descreve o que o amor é, o que o amor não é, e o que o amor faz (13.4-7). Finalmente, Paulo descreve a natureza duradoura e eterna do amor (13. 8b- 13). Dividiremos esse estudo em três partes distintas: A superioridade do amor, as virtudes do amor e a eternidade do amor.
A superioridade do amor (13.1 -3)
O amor é superior a todos os dons extraordinários. Esse é o argumento de Paulo. A igreja de Corinto estava muito orgulhosa dos dons que tinha, especialmente os dons de sinais. Os crentes de Corinto acreditavam que aqueles que possuíam esses dons eram superiores aos demais. Eles chegaram a pensar que os detentores desses dons de sinais, especialmente, o falar em outras línguas, eram crentes de primeira categoria, que haviam alcançado um estágio mais elevado de intimidade com Deus. Então, eles estavam orgulhosos e ensoberbecidos por esses dons da igreja.
Paulo, porém, desmistifica esse equívoco deles, mostrando que o amor é superior aos dons. O amor é melhor do que o dom de línguas (13.1). O amor é melhor do que o dom de profecia e de conhecimento (13.2). O amor é melhor do que o dom de milagres (13.2). O amor é melhor do que o dom da contribuição sacrificial (13.3). O amor é melhor do que o próprio martírio, dar o seu corpo para ser queimado (13.3).
O amor é superior aos dons por duas razões: Pelas suas qualidades e pela sua perenidade. Os dons cessam. Eles são apenas para esta vida, Os dons são apenas para este mundo. Eles são para a igreja militante. Porém, o amor é também para a Igreja triunfante. O amor transcende a História. Ele é eterno.
Paulo menciona cinco dons espirituais que a igreja de Corinto reputava como os mais importantes: línguas, profecia, conhecimento, fé, e contribuição sacrificial (dinheiro e vida). Paulo argumenta com a igreja que esses dons sem amor não têm nenhum valor. As maiores obras de caridade são de nenhum valor sem amor (13.3). O amor é melhor por causa da sua excelência intrínseca e também por causa da sua perpetuidade.
Todos os dons, por mais nobres são inúteis, se não houver amor. O exercício mais generoso dos dons espirituais não pode compensar a falta de amor. O exercício desses dons sem o amor não tem nenhum valor para a edificação da igreja. A igreja de Corinto estava cheia de rachaduras, traumas, partidos, grupos, cisões, e divisões pela falta de amor. Dons sem amor não sinalizam maturidade espiritual.
Na igreja de Corinto havia complexo de inferioridade e complexo de superioridade em relação aos dons espirituais. Havia quem se sentia um zero à esquerda e outros que batiam no peito e se enchiam de empáfia, desprezando os demais. Eles viviam na igreja como se estivessem num campeonato de prestígio.
Em Corinto estava a igreja mais cheia de dons do Novo Testamento, mas também a igreja mais imatura e mais carnal, porque lhe faltava amor. A igreja buscava os dons do Espírito, mas não o fruto do Espírito.
Paulo faz três declarações duras acerca do cristão que não tem amor.
Em primeiro lugar, sem amor, eu ofendo os outros (13.1). Paulo já havia ensinado que o amor edifica (8.1). Quando os dons são exercidos em amor, eles edificam a igreja. Mas quando os dons não são usados com amor, magoamos as pessoas. Paulo expõe esse assunto por meio de uma referência indireta aos devotos dos cultos de mistério gregos em Corinto, que adoravam Dionísio (deus da natureza) e Cibele (deusa dos animais selvagens).’84 Observe as três comparações que Paulo faz no final de cada um dos três versículos:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará
(13.1-3).
O que essas figuras “bronze que soa” e “címbalo que retine” significam? “Bronze que soa” e “címbalo que retine” eram instrumentos usados no culto pagão em Corinto, o culto de mistério do deus Dionísio e da deusa Cibele.’85 Eram formas de se convocar os fiéis para adorar esses deuses pagãos. Nas ruas de Corinto ecoava o toque dos gongos barulhentos e dos címbalos estridentes, instrumentos que caracterizavam esses adoradores. Ambos eram utilizados nas religiões de mistério para invocar a deidade, afastar os demônios ou despertar os adoradores. Não eram melodiosos nem produziam harmonia.186 Era uma batida monótona, chocante, e doída que cansava e incomodava as pessoas. Era como o latido de um cão.
Igualmente desagradável é o uso do dom de falar em línguas sem a motivação controlada pelo amor. Paulo afirma que uma pessoa pode falar a língua dos homens e dos anjos, mas se não houver amor, vai cansar as pessoas, ferindo-as e ofendendo-as. Não importa se as línguas são humanas ou angelicais; sem amor, elas se tornam desagradáveis e rudes. O homem que se deixa levar pelo falar, antes que pelo fazer, vem a ser nada mais que mero som. A melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho.
Em segundo lugar, sem amor, eu nada sou (13.2). Os crentes de Corinto pensavam que aqueles que tinham o dom de profecia, línguas, conhecimento, e fé para realizar milagres eram os crentes “nota dez”, pessoas muito importantes.
Todavia, Paulo contesta essa idéia e diz que sem amor essas pessoas eram totalmente insignificantes. Sem amor, os crentes que têm os dons mais espetaculares, ganham nota zero e se tornam nulidade. Deus não se deleita num cristão sem amor. Deus não pode usar, para a Sua glória, um cristão sem amor, alerta David Prior.
Em terceiro lugar, sem amor, eu nada ganho (13.3). Do conhecimento e dos feitos poderosos, Paulo se volta para os atos de misericórdia e dedicação. Havia uma idéia meritória quando alguém ofertava alguma coisa com sacrifício. Ou quando alguém entregava o próprio corpo para ser queimado. Nas religiões de mistério existia muito esse tipo de sacrifício. Os pais sacrificavam os próprios filhos a Moloque. Outros se entregavam a si mesmos, acreditando que com isso granjeariam a simpatia dos deuses. Ainda hoje há muitos religiosos radicais que se entregam a missões suicidas com a ilusão de que receberão recompensas na vida futura.
Exemplo disso é o acontecido no dia 11 de setembro de 2001, quando quatro pilotos muçulmanos, agindo em nome de AIá, seqüestraram aeronaves americanas e fizeram delas armas de ataque contra o povo americano. Duas aeronaves foram lançadas sobre as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, outra foi jogada sobre o Pentágono em Washington, DC e outra por intervenção dos passageiros, deixou de atingir seu alvo e caiu no Estado da Pennsylvania.
Paulo, já no primeiro século da era cristã, alertava para o fato de que ainda que a pessoa seja capaz de dar todos os seus bens e entregar o próprio corpo para ser queimado, se isso não for inspirado por uma motivação certa, por uma teologia certa, pelo amor, nada disso adiantaria. Sem amor, todo o sacrifício se perde e nada se ganha. O amor é superior aos dons.
As virtudes do amor (13.4-8)
O apóstolo Paulo destaca três verdades sobre o amor, que vamos considerar: O que é o amor? O que não é o amor? E o que o amor faz?
O que é o amor? O amor é paciente e benigno. O que não é o amor? O amor não é ciumento, não se ufana, não se ensoberbece. O amor não se conduz inconveniente, não procura os seus interesses e não se ressente do mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. O que o amor faz? O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; o amor jamais acaba.
O capítulo 13 de 1 Coríntios é profundamente apologético. Paulo escreve esse texto para corrigir os problemas que a igreja estava vivenciando.
Vamos examinar esses atributos do amor.
Em primeiro lugar, o amor é paciente (13.4). O amor paciente tem uma capacidade infinita de suportar. O termo grego makrothumein sempre descreve a paciência com pessoas e não com circunstâncias.
Trata-se daquela pessoa que tem poder para vingar-se, mas não o faz.19’ A palavra grega makrothumia é paciência esticada ao máximo. Num tempo em que os nervos das pessoas estão à flor da pele, o amor paciente é necessidade vital. Há pessoas que têm o pavio curto, e outras que nem têm pavio. As pessoas estão parecendo barris de pólvora: explodem ao sinal de qualquer calor.
O amor tem uma infinita capacidade de suportar situações adversas e pessoas hostis. A idéia é a mesma da longanimidade. Quem ama tem um ânimo longo, um ânimo esticado ao máximo. O amor é paciente com as pessoas. Ele tem a capacidade de andar a segunda milha. Quando alguém o fere, ele dá a outra face. Ele não paga ultraje com ultraje.
Em segundo lugar, o amor é benigno (13.4). A palavra “benigno” dá a idéia de reagir com bondade aos que nos maltratam. É ser doce para com todos. Agora, como é que a igreja de Corinto se comportava em relação à paciência e à benignidade do amor?
Na igreja de Corinto havia divisões e contendas. Não existia paciência entre os crentes. Ao contrário, eles não se suportavam e havia divisão entre eles. Eles não eram unidos e não tinham a mesma disposição mental. Eles não eram do mesmo parecer. Eles eram indelicados em suas atitudes entre si. E Paulo então diz que a terapia de Deus para corrigir esse problema é o amor. Porque o amor é paciente e também benigno. Alguns crentes da igreja estavam levando os próprios irmãos a juízo perante incrédulos. Eles faziam injustiça uns contra os outros. Eles não apenas brigavam dentro da igreja, mas estavam levando essas querelas para o mundo. O remédio para solucionar esse pecado é o amor. O amor é paciente e é benigno.
Em terceiro lugar, o amor não arde em ciúmes, não se ufana e não se ensoberbece (13.4). O amor não se aborrece com o sucesso dos outros. Não é preciso ser um psicólogo para saber disto: Nós temos mais dificuldade de nos alegrarmos com os que se alegram do que chorar com os que choram. Temos uma dificuldade imensa de celebrar as vitórias do outro, de aplaudir o outro e nos alegrarmos com o triunfo e o sucesso do outro.
O amor não se ufana. A palavra “ufanar”, nesse texto, significa cheio de vento. Tem gente que parece um balão, cheio de vaidades. É como um poço de vaidades.
“Não se ensoberbece.” Havia crentes na igreja de Corinto que estavam cheios de empáfia e vaidade. Havia aqueles que se vangloriavam na presença de Deus (1.29). Havia outros que se vangloriavam em homens (3.2 1), numa espécie de culto à personalidade. Paulo corrige a igreja dizendo que essa prática é contrária ao amor. O amor não tem ciúmes.
Em quarto lugar, o amor não se conduz inconvenientemente nem procura seus próprios interesses (13.5). O amor é a própria antítese do egoísmo.’96 Ele não é egocentralizado, mas outrocentralizado. Ele não vive para si mesmo, mas para servir ao outro. Leon Morris diz que o amor se preocupa em dar-se, e não em firmar-se.
Por que temos contendas dentro de casa, no trabalho e na igreja? Porque estamos sempre lutando pelo que é nosso e nunca pelo que é do outro! Só há contenda quando você briga pelos seus interesses, quando o egoísmo está na frente. Mas quando você coloca a causa do outro na frente da sua necessidade não existe contenda.
Em quinto lugar, o amor não se exaspera e não se ressente do mal (13.5). O amor não é melindroso. Não está predisposto a ofender-se. O amor está sempre pronto para pensar o melhor das outras pessoas, e não lhes imputa o mal.’98 O amor não é hipersensível. A hipersensibilidade é orgulho. Como se corrige isso? Através do amor que não se exaspera, que não se ressente do mal. Os crentes de Corinto estavam levando uns aos outros aos tribunais seculares diante de juízes não-cristãos (6.5-7). Estavam brigando, fazendo injustiça, criando confusão e levando seus conflitos e tensões para fora da igreja. Eram egoístas e carnais. Só a prática do amor poderia restaurar a vida espiritual daquela igreja.
Em sexto lugar, o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade (13.6). Na igreja de Corinto havia práticas tão escandalosas que nem mesmo entre os pagãos se percebia. Pior do que a loucura de um homem deitar- se com a mulher do próprio pai foi a atitude da igreja em relação a esse fato. A igreja não lamentou, não chorou, antes se jactou da situação. Paulo, então, diz que o amor não se conduz inconvenientemente. O amor não pratica a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Em sétimo lugar, o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (13.7). Paulo passa do que o amor não é para o que o amor faz. Alguns irmãos da igreja de Corinto estavam usando mal a sua liberdade cristã. Por agir sem amor, eles faziam tropeçar os irmãos mais fracos. Agora, Paulo diz para a igreja que o amor tudo sofre. Significa que você abre mão de um direito que tem a favor do seu irmão. A ética cristã não é regida simplesmente pelo conhecimento, mas, sobretudo, pelo amor.
Paulo diz também que o amor tudo crê. A igreja de Corinto estava duvidando do apostolado de Paulo, dando créditos às pessoas mentirosas que se opunham ao seu ministério. Davam crédito à mentira, mesmo contra o seu pai espiritual, o apóstolo Paulo (4.3-5; 9.1-3). A igreja regida pelo amor, porém, crê naquilo que recebeu da parte de Deus. Ela recebe da parte de Deus a verdade e não abre mão da verdade.
Ainda que essa verdade sofra ataques de todos os lados. A igreja regida pelo amor está sempre disposta a levar em conta as circunstâncias e ver nos outros o melhor.
Paulo ainda diz que o amor tudo espera. Esse é o olhar prospectivo. A idéia não é a de um otimismo irracional, que deixa de levar em conta a realidade. E antes a recusa em tomar o fracasso como final. Decorrente de tudo crê, vem a confiança que olha para a vitória final pela graça de Deus.
Prosseguindo, Paulo diz que o amor tudo suporta. Esse elemento traz a idéia de constância. Leon Morris diz que o verbo hupomeno denota não uma aquiescência paciente e resignada, mas uma fortaleza ativa e positiva a resistência do soldado que, no calor da batalha, não fraqueja, mas continua vigorosamente na peleja.
Por fim, Paulo afirma: “O amor jamais acaba” (13.8). O amor ágape nunca entra em colapso. Ele jamais sofre ruína. As muitas águas não podem apagá-lo (Ct 8.7).
David Prior aduz que, ao concluir esse parágrafo, Paulo trabalha três pontos importantes.
a) O amor e as trevas em nós mesmos (13.4b,5a). Com o uso de cinco negativas, cada uma precedendo um verbo, Paulo diz que o amor simplesmente não faz essas coisas:
Ele não se entrega ao ciúme, ao ufanismo ou à arrogância; resiste à tentação de reagir com aspereza ou egoísmo. Esses pecados todos estavam presentes na igreja de Corinto.
b) O amor e as trevas dos outros (13.5b,6). Paulo menciona três maneiras pelas quais as faltas dos outros nos levam à falta de amor:
1) Há pessoas que nos provocam — não podemos permitir que as pessoas determinem o nosso comportamento.
2) Há pessoas que falam e fazem mal contra nós — é crucial reconhecer o perigo de regozijar-se com o fracasso dos outros, e particularmente manter uma lista dos erros cometidos. O amor além de perdoar, esquece; e não mantém um registro das coisas ditas e feitas contra nós.
3) Há um mal intrínseco em nós mesmos — podemos cair na armadilha de nos regozijarmos não com o que é bom e verdadeiro, mas com o que é obscuro e sórdido. Encontramos um falso alívio quando vemos os outros fracassando e caindo.
c) O amor e as aparentes trevas em Deus (13.7). A palavra tudo, repetida quatro vezes nesse versículo, torna claro que o amor não é uma qualidade humana, mas um dom do próprio Deus. E apenas o amor de Deus em nós que nos capacita a sofrer, crer, esperar e suportar. Muitas vezes somos esmagados pela pergunta: Por que, Senhor? Mas quando amamos, descansamos no fato de que Deus está no controle. Aconteça o que acontecer, ficamos firmes porque sabemos que Deus está trabalhando para o nosso bem final (Rm 8.28).
A eternidade do amor (13.8-13)
Paulo menciona os três dons que ocupavam o alto da lista de prioridades da igreja de Corinto: línguas, profecia e conhecimento. Depois disso, afirma que o amor é superior a esses dons. Superior porque os dons são passageiros e o amor é eterno (13.10). A afirmação categórica de Paulo é: “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará...” (13.8). O verbo grego piptei significa literalmente “falhar” ou “entrar em colapso”. O amor nunca cede às pressões. Ele ultrapassa a morte, chegando à eternidade.
Línguas, profecia e conhecimento. Cada um deles passará a ser irrelevante ou será absorvido na perfeição da eternidade.
Esses dons sem amor não têm nenhuma validade. Ainda, os dons por mais importantes que sejam são temporários, mas o amor é eterno.
Paulo ilustra essa verdade geral de duas maneiras diferentes:
Em primeiro lugar, ele menciona o crescimento desde a infância até a maturidade. Diz o apóstolo: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (13.11). Ele compara a infância com a maturidade. E como se a vida terrena fosse a infância. Como se a eternidade fosse a plena maturidade. Quando você chega à plenitude da sua maturidade, passa a conhecer as coisas com clareza.
Em segundo lugar, ele usa a figura do espelho. Paulo contrasta o reflexo de uma pessoa no espelho com a visão dela mesma, face a face. “Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido” (13.12).
Na época de Paulo os espelhos eram extremamente embaçados. Eles não eram tão nítidos quanto os de hoje. As pessoas se olhavam no espelho e viam sua imagem turva, embaçada e obscurecida. Paulo utiliza essa figura para dizer que agora nós vemos como que por um espelho embaçado. Por mais que você conheça, ainda não está vendo plenamente. E por isso que Paulo em 2 Coríntios 12, diz que quando foi ao terceiro céu, viu e ouviu coisas que não são lícitas de serem relatadas ao homem. Não conseguimos entender agora o esplendor e a glória do céu. O céu está muito além de qualquer descrição que nós possamos fazer.
Paulo ainda afirma que enquanto não virmos a Jesus como Ele é, teremos pouca maturidade. ‘Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido” (13.12b). Conhecido por quem? Conhecido por Deus. Eu pergunto a você: O conhecimento de Deus é parcial? Deus conhece você parcialmente? Não! O conhecimento de Deus é completo. Eu não me conheço completamente. Os gregos diziam: “Conhece-te a ti mesmo”. Coitados dos gregos. Até hoje estamos tentando. O homem não se conhece.
Alex Carrel, grande sociólogo, em seu livro, O homem, esse desconhecido, destaca o fato de que nós não nos conhecemos. O homem tem muito conhecimento. Ele é capaz de ir à lua, viajar pelo espaço sideral. O homem conhece muitos mistérios da ciência e consegue penetrar nos mistérios do macrocosmo e do microcosmo. O homem é um gigante.
Todavia, ao mesmo tempo, ele é um ilustre desconhecido de si mesmo. Porém, quando chegar o fim e estivermos na eternidade, vamos conhecer plenamente, vamos ver Jesus face a face. Então, conheceremos como também somos conhecidos. Enquanto não virmos a Jesus, não veremos com total clareza as coisas de Deus! Nosso conhecimento aqui é limitado, mas então será pleno.
Todos os dons que temos são para esta vida. Mas o amor vai reinar no céu. Paulo argumenta com a igreja que o amor é esse oxigênio que vai existir no céu.
Quando os dons desaparecerem e se tornarem obsoletos, o amor vai ser absolutamente necessário, porque o amor é exatamente o oxigênio que vai manter o relacionamento no céu. O que é o céu? O que é a vida eterna? E conhecer a Deus. E quem é Deus? Deus é amor. O céu é viver em amor, em comunhão com Deus e em comunhão uns com os outros.
Paulo, agora, argumenta que dentre as maiores virtudes:
A fé, a esperança e o amor, o amor é o maior de todos. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (13.13). Sem amor não há cristianismo. Você pode ser ortodoxo, mas se não tiver amor, você não é um cristão, O apóstolo João diz que aquele que não ama ainda permanece nas trevas. Quem permanece nas trevas é aquele que ainda não nasceu de novo. Jesus disse que “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35). O caminho da maturidade é o amor. O amor é o cumprimento da lei. O amor é o maior de todos os mandamentos. O amor é a apologética final. O amor é o grande remédio para os males da igreja.
William Barclay fala sobre a superioridade do amor: “A fé e a esperança são grandes, mas o amor é ainda maior. A fé sem o amor é fria, e a esperança sem ele é horrenda. O amor é o fogo que incendeia a fé e a luz que torna a esperança segura” .
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Comentário Expositivos Hagnos Bíblico l Coríntios